Perfumes são tóxicos? Descubra se o item é um veneno para a sua saúde

A fragrância é conhecida como o novo fumo passivo, defende a escritora Meghan Telpner

 

As provas concretas dos indicadores dos produto químico/perfume no organismo de pessoas que usam estes a longo prazo e que estão com alguma doença mais séria como, câncer e outros, é muito díficil de obter. Não irão correlacionar. Silânia Costa. Foto: Mundiblue.

 

Há quem diga que não dá para sair de casa sem borrifar um bom perfume. Outros encaram a fragrância como uma segunda pele. O item, certamente, integra a lista de produtos must have para o dia a dia. Prova disso é que, de acordo com a escritora Meghan Telpner, até no ano de 2024, o mercado global de fragrâncias que inclui perfume, desodorante e antitranspirante valeu US$ 92 bilhões.

Embora o cosmético possa influenciar no humor de cada pessoa, como também na forma com que cada um se identifica, há uma notícia bastante desanimadora a quem ama o universo dos aromas e suas particularidades: as fragrâncias são capazes de causar malefícios à nossa saúde.

Segundo Heather Patisaul, bióloga da Universidade Estadual da Carolina do Norte, qualquer coisa que dê cheiro ao perfume provavelmente será um alérgeno.

Isso inclui espirros, sibilos e até erupções cutâneas e dor de cabeça.

Uma pesquisa de 2009 mostrou que 30% da população dos Estados Unidos tinha irritação por perfume.

Já um estudo realizado pela professora Anne Steinemann PhD pela Universidade de Stanford, revelou que um terço da população pesquisada tem uma sensibilidade a fragrâncias prejudicial à saúde, incluindo dores de cabeça, dificuldades respiratórias, efeitos adversos ao bem-estar e irritações na pele.

“Olhe para o seu frasco de perfume e leia os ingredientes. Parece um livro de química. Entre as várias substâncias presentes na fórmula, o que realmente preocupa os pesquisadores de saúde pública são as fragrâncias. Esses termos são um conjunto de 10 mil ingredientes diferentes”, informou a revista Time.

Isso acontece devido às leis e regulamentações que “blindam” as empresas que fabricam esse tipo de produto a fim de evitar que outras marcas copiem o segredo de seus aromas.

Portanto, não há como saber exatamente quais desses milhares de componentes estamos aplicando em nosso pescoço ou pulso.

“Fragrâncias com odor rico podem desencadear reações alérgicas, ataques de asma e outras reações respiratórias entre, o que pode adicionar ainda mais complicações à sua saúde”, avaliou a especialista.

Para a escritora e nutricionista Meghan Telpner, os produtos químicos que compõem o líquido são potentes e persistentes.

Ela defende que muitos são cancerígenos.

“A fragrância é conhecida como o novo fumo passivo”, instiga.

“Os Estados Unidos têm uma abordagem muito relaxada em relação aos cosméticos, enquanto as leis canadenses e da União Europeia são mais restritivas”, salienta.

Veja uma lista de riscos à saúde que o perfume proporciona, na visão da especialista Meghan Telpner:

Dores de cabeça

Um estudo com 200 pacientes com enxaqueca e 200 participantes com dores de cabeça tensionais descobriu que os odores do perfume podem desencadear enxaquecas em poucos minutos.

Dermatite de contato

As fragrâncias são uma das causas mais comuns de dermatite e alergias de contato. Vários estudos mostram que a exposição física a perfumes e ingredientes de fragrâncias pode causar esse tipo de alergia, além de exacerbar eczema e causar erupções cutâneas.

Asma

Um estudo de tiras de perfume mostrou que a inalação desse item pode exacerbar os sintomas e causar obstrução das vias aéreas em pessoas com asma, enquanto outro descobriu que o perfume pode instigar sintomas respiratórios semelhantes aos da asma.

Em uma vigilância de 19 anos de asma no local de trabalho na Califórnia, pesquisadores descobriram que a fragrância usada no trabalho era comumente associada à asma relacionada ao trabalho (WRA), e que 242 dos casos registrados de WRA estavam ligados a perfume ou colônia.

Por fim, em uma pesquisa nacional autorrelatada com pouco mais de 1.100 pessoas, 46,2% dos asmáticos relataram efeitos adversos após estarem perto de alguém usando um produto de fragrância  e 35,4% disseram que pediram demissão ou perderam o emprego devido à exposição à fragrância no local de laboral.

Problemas respiratórios

Em um estudo que comparou voluntários saudáveis ​​a pessoas com problemas respiratórios induzidos por perfume, exames de sangue mostraram um aumento na produção de histamina no grupo com problemas respiratórios. A histamina faz parte de nossa resposta imune a patógenos em nossos corpos e pode causar inflamação. Pessoas com problemas respiratórios e pulmonares também relatam serem afetadas por aromas e perfumes.

Disrupção endócrina

Muitos dos produtos químicos usados ​​em perfumes podem alterar o sistema endócrino. Um estudo que testou uma gama de 213 produtos domésticos e pessoais encontrou uma série de produtos químicos desreguladores endócrinos, incluindo BPA, ftalatos, parabenos e fragrâncias. Em uma análise de cinco tipos diferentes de ftalatos em 47 marcas de perfumes, os pesquisadores disseram ter encontrado “quantidades consideráveis” de ftalatos em todas as marcas, e algumas tinham quantidades de ftalatos acima dos limites.

Danos ao DNA

Um estudo de acompanhamento dos pesquisadores que testaram ftalatos em 47 mostras descobriu que todos os perfumes testados induziam danos ao DNA.

Desreguladores hormonais

Além de toxinas em potencial  causadoras de dores de cabeça e irritação, os perfumes também podem conter uma quantidade alta de químicos que desregulam hormônios, como os ftalatos, químicos à base de petróleo responsáveis por interromper o ciclo natural de hormônios, incluindo testosterona e estrogênio.

“Há evidências que ligam os ftalatos a distúrbios do desenvolvimento, especialmente entre meninos recém-nascidos”, afirmou Heather Patisaul.

*Nos perfumes, os ftalatos mantêm todos os diferentes elementos do líquido suspensos e distribuídos uniformemente, conforme apontou Caroline Cox, diretora de pesquisa do Center for Environmental Health, grupo de vigilância sem fins lucrativos que monitora problemas de saúde pública relacionados a produtos químicos.

De acordo com ela, estudos relacionaram o dietil ftalato (DEP),  à má função pulmonar e diversos problemas de espermatozoides, desde contagens mais baixas até motilidade reduzida.

Já nas mulheres, a exposição ao ftalato associa-se a problemas como a síndrome do ovário policístico.

Entretanto, para a bióloga Heather Patisaul, as provas concretas desses indicadores são muito difíceis de obter.

“Não é como se pudéssemos expor deliberadamente mulheres grávidas ou meninos aos ftalatos e ver o que acontece”, comentou a profissional.

Como se proteger

Para tornar a sua experiência com bálsamos mais segura, a bióloga Heather Patisaul recomenda trocar os produtos sintéticos pelos naturais.

Sanar dúvidas a respeito dos ingredientes presentes nos rótulos com a ferramenta Skin Deep, um banco de dados de segurança de produtos administrado pelo Environmental Working Group.

Se você é o tipo de pessoa que não consegue se desfazer de seu aroma favorito, tente diminuir a frequência de aplicação.

“A verdade é que estamos apenas começando a entender como esses produtos químicos perturbam o corpo”, destacou Patisaul.

A escritora e nutricionista Meghan Telpner sugere criar o próprio bálsamo em casa misturando óleos essenciais de alta qualidade, ou ainda, comprar um cosmético não tóxico.

 

 

Fonte:

Dra. Heather Patisaul, Bióloga e Neuroendocrinologista, que pesquisa os efeitos dos desreguladores endócrinos na saúde. Ela atua como diretora científica da divisão de toxicologia translacional do Instituto Nacional de Ciências da Saúde Ambiental desde 2024 na Universidade Estadual da Carolina do Norte.

Dra. Meghan Telpner  Escritora e Nutricionista.

Metrópoles.

Mundiblue/Silânia Costa

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