Como lidar com lideranças tóxicas: prejuízo na saúde e no desempenho do trabalhador

Ligações insistentes e fora do horário de trabalho, insultos e metas impossivelmente altas. As atitudes de lideranças tóxicas já levaram muitas pessoas a se demitirem, mas nem todos podem fazer isso

 

Habilidades técnicas se aprende em dias, enquanto ser líder precisa de autoconhecimento e muitos anos de experiencia e capacidade. Não é para qualquer profissional. Silânia Costa. Foto Mundiblue.

 

Pesquisas apontam que uma em cada três pessoas já pediu demissão por causa de um ambiente de trabalho tóxico ou de um líder ruim.

Mas nem todo mau líder é tóxico, e entender a diferença é importante, afirma Ann Francke, diretora executiva do Chartered Management Institute.

Muitos líderes se enquadram em uma categoria que o instituto chama de “chefe acidental”, em que as pessoas são promovidas por suas habilidades técnicas em vez de sua capacidade de liderança.

Nesses casos, o mau comportamento geralmente é resultado de inexperiência ou de incerteza, e não motivado pela intenção.

Um líder tóxico é diferente, pois deliberadamente não demonstra empatia e, muitas vezes, também não tem autoconhecimento. Eles podem sabotar ativamente a equipe, se apropriar do trabalho dos outros ou liderar pelo medo e ter expectativas irreais”, explica Francke.

O impacto vai além de conflitos de personalidade, criando ansiedade que pode prejudicar tanto a saúde mental quanto o desempenho dos funcionários.

“Se você sente um nó no estômago na segunda-feira de manhã, se encolhe pelos cantos para evitar confrontos ou se tem medo de se manifestar em reuniões por receio de represálias, isso é toxicidade, não um conflito de personalidade”, afirma ela.

Como lidar com um líder tóxico

Muitas vezes, contudo, pedir demissão não é uma opção até que apareça outra vaga.

Nesses casos, ou para quem quer tentar lidar com a situação antes de tomar uma decisão definitiva, Francke compartilha recomendações que podem ser úteis:

1 – Conte para alguém: encontre um mentor fora da sua linha hierárquica direta que entenda a organização e possa oferecer conselhos de forma honesta e independente.

2 – Confronte o líder sobre o comportamento dele: não faça isso de surpresa, mas marque uma reunião e exponha suas preocupações com calma, de maneira formal, apresentando exemplos específicos. Se seus colegas também forem afetados, considerem abordar o assunto de forma conjunta para mostrar o impacto mais amplo. Seu líder pode não perceber o dano que está causando com seu comportamento.

3 – Proteja-se: estabeleça limites, priorize seu bem-estar e crie um espaço fora do trabalho. Pode ser difícil, mas aprender a se distanciar da situação ajudará você a recuperar a perspectiva e planejar os próximos passos.

4 – Use o RH com cautela: se sua organização tem um bom Recursos Humanos (RH), você certamente pode confiar nele, mas vale a pena verificar se o departamento tem um histórico de lidar com comportamentos inadequados em vez de ignorá-los.

 

Fonte:

Ann Francke, diretora executiva do Chartered Management Institute.

Época Négocios – Futuro do Trabalho.

Mundiblue/Silânia Costa Enfermeira do Trabalho.

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