Faz um tempo que a palavra burnout começou a circular. A condição que envolve sintomas de depressão, ansiedade e estresse relacionados diretamente com o trabalho, classificada pela OMS como síndrome.

A pesquisa foi feita com base em entrevistas com mais de seis mil pessoas entre 21 e 65 anos, de diferentes cidades e classes sociais.
Quem mais sofre são as pessoas com menos de 30 anos, que têm menos recursos protetivos.
Entre homens e mulheres, elas são as mais prejudicadas, o que certamente tem a ver com a jornada adicional de trabalho doméstico.
Também conta o fato de elas ocuparem menos cargos de poder, o que gera uma sobrecarga por frustração, segundo a reportagem.
Ao longo do texto, especialistas e trabalhadores comuns relacionam a alta prevalência à piora da rotina profissional nos últimos anos.
Por exemplo, mesmo que alguém trabalhe oficialmente 40 horas por semana, essa contagem não capta as mensagens de whatsapp enviadas de noite e nos fins de semana.
“Todos estão dependentes e escravizados por aplicativos”, diz Rosylane Rocha, presidente da Associação Nacional de Medicina do Trabalho. Tem ainda os sistemas de metas para vários níveis de funcionários e evidentemente, a taxa de desemprego galopante.
A reportagem traz exemplos, como a de uma historiadora que aos 26 anos acumulava dois empregos, entrou no mestrado e, depois de dificuldades de concentração, prostração e crises de pânico, foi obrigada pelo psiquiatra a se afastar de tudo por 50 dias.
Em outro caso, um engenheiro na casa dos 30 anos começou a sentir os sintomas, ignorou por algum tempo mas, eventualmente, procurou ajuda e concordou em rever prioridades.
O pesquisador Jeffrey Pfeffer, autor do livro Dying for a paycheck (Morrendo por um salário), escreveu que, em locais de trabalho tóxico, as pessoas devem fazer o mesmo que fariam se estivessem em um lugar cheio de fumaça ou pegando fogo: sair.
Não há outra alternativa razoável pois as consequências para a saúde são mortais.
Por aqui, sentimos falta de uma abordagem sobre como fica a situação de quem não tem a opção de tirar férias nem licença, nesse cenário de informalidade em alta e CLT se desmoronando.
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