Saúde – Incertezas e precarização são os efeitos mais visíveis na saúde mental dos trabalhadores. Diz psicólogo.

As transformações geradas pela Revolução 4.0 no mundo do trabalho não têm como consequência apenas a diminuição de postos de trabalho, mas também suscitam questões sobre a saúde mental tanto dos trabalhadores que já foram substituídos por máquinas, quanto daqueles que ainda nem ingressaram no mercado, como jovens e adolescentes.

 

 

Como se sente e se percebe um adolescente hoje ao acessar um mundo do trabalho que constantemente diz que só há espaço para vencedores, e que o vencedor é o mais veloz, o mais conectado, o mais empreendedor, com inglês fluente, conhecimento em finanças, e big data e o mais hábil com suas emoções, suporta a tudo e a todos, com felicidade, gentileza e gratidão?

Como é para um adolescente perceber um mundo do trabalho que gera um imaginário de riqueza aos 20 anos, mas que muitas vezes só trabalhos precarizados no contexto atual, consegue oferecer?

“Penso que essas questões precisam ser feitas para atendermos melhor nossa infância e adolescência hoje”, afirma o psicólogo Daniel Viana Abs da Cruz.

De acordo com ele, como o trabalho tem um papel central na vida dos indivíduos e um impacto sobre as demais esferas da vida, alterações nas formas de trabalho, nas rotinas, nas garantias e direitos, nas relações afetivas e sociais produzidas, tendem a alterar a relação que se tem com a saúde física, com a perspectiva de futuro, com a família e amigos, com a segurança percebida no ambiente, com a comunidade de que se faz parte.

Todos esses elementos alterados, menciona, afetam o bem-estar e a saúde mental e geram sofrimento.

Nos dias de hoje, assegura:

“esse sofrimento pode ser facilmente reconhecido e nomeado como psicopatologias que circulam no contemporâneo, como a depressão e a ansiedade”.

Cruz ressalta que junto com o progresso tecnológico é “imputado” ao trabalhador, o imaginário de que com muitos cursos e qualificações estará seguro em seu emprego.

Diante das transformações tecnológicas e no mundo do trabalho, o psicólogo sugere a adoção de uma postura mais positiva.

“Ao invés de buscarmos o que falta de qualificação nos trabalhadores para ocuparem cargos e funções em empresas, incentivar e sustentar o que eles já possuem como habilidades e potencialidades constituídas, pode melhorar a saúde e a insegurança causada por incertezas”, diz.

 

Revolução 4.0

A quarta revolução industrial, ou Indústria 4.0, é um conceito desenvolvido pelo alemão Klaus Schwab, diretor e fundador do Fórum Econômico Mundial. Hoje, é uma realidade defendida por diversos teóricos da área.

Segundo ele, a industrialização atingiu uma quarta fase, que novamente transformará fundamentalmente a forma como vivemos, trabalhamos e nos relacionamos, impactos para o seu emprego e para a economias. É, portanto, uma mudança de paradigma, não apenas mais uma etapa do desenvolvimento tecnológico.

 

 

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