Candidaturas com IA já criam problemas para a maioria dos empregadores no Brasil, aponta pesquisa

Levantamento da Robert Half, mostra que 53% relatam dificuldades entre eles, 74% dizem que o tempo para preencher vagas aumentou

 

Currículo feito por IA e a dificuldade de saber até onde as informações são genuínas em um processo seletivo, segundo as empresas. Foto: Mundiblue.

 

O uso crescente de inteligência artificial generativa por candidatos a emprego já está criando dificuldades para a maioria dos empregadores no Brasil.

Pesquisa da Robert Half obtida com exclusividade pela reportagem, mostra que 53% dos responsáveis por decisões de contratação no país relatam problemas relacionados ao uso de GenIA em currículos e outros materiais de candidatura.

Entre esse grupo, 74% afirmam que a proliferação de conteúdos produzidos com auxílio de IA aumentou o tempo necessário para preencher uma vaga.

O levantamento ouviu 500 empregadores brasileiros responsáveis por decisões de contratação nas áreas de:

  • Finanças e Contabilidade,
  • Tecnologia da Informação,
  • Suporte Administrativo e ao Cliente,
  • Jurídico,
  • Engenharia.

Segundo a Robert Half, parte das dificuldades está no aumento do volume de currículos e cartas de apresentação muito semelhantes entre si e na necessidade de verificar se as experiências descritas pelos candidatos correspondem efetivamente às competências que possuem.

Entre os profissionais que relatam desafios relacionados à GenIA, 21% apontam como uma das principais dificuldades distinguir documentos elaborados de forma autêntica daqueles produzidos com auxílio de ferramentas de inteligência artificial.

Empresas acrescentam etapas de avaliação

A resposta de parte dos empregadores tem sido ampliar as verificações ao longo dos processos seletivos.

Um terço das empresas pesquisadas, 33%, afirma ter incorporado entrevistas adicionais ou etapas complementares de triagem para confirmar habilidades e experiências apresentadas pelos candidatos.

“Quando muitos profissionais recorrem à IA para produzir materiais de candidatura que seguem padrões muito semelhantes, torna-se mais difícil analisar a experiência apresentada e identificar quais candidatos realmente possuem as competências exigidas para a função”, afirma Caio Arnaes, diretor de mercado da Robert Half.

Segundo o executivo, o currículo continua sendo uma ferramenta importante para apresentar experiências e qualificações, mas não pode funcionar como único critério de avaliação em um ambiente no qual ferramentas generativas tornam os materiais de candidatura mais sofisticados e padronizados.

“A tecnologia pode apoiar tanto as candidaturas quanto o recrutamento, mas a validação das competências continua exigindo avaliação humana e verificações adicionais por parte das empresas”, diz Arnaes.

Contratações crescem enquanto seleção fica mais complexa

A necessidade de verificações adicionais aparece em um momento em que uma parcela relevante das empresas pesquisadas pretende contratar.

Segundo o mesmo levantamento, 42% dos empregadores planejam ampliar suas equipes permanentes neste segundo semestre de 2026.

Para Arnaes, o desafio passa a ser combinar uma análise mais cuidadosa das candidaturas com agilidade para não perder profissionais disputados em processos seletivos muito longos.

“Ferramentas de IA tornaram os perfis profissionais mais sofisticados e padronizados, o que exige uma abordagem ainda mais criteriosa por parte das empresas na avaliação dos candidatos. Ao mesmo tempo, a disputa por talentos qualificados exige processos seletivos capazes de equilibrar profundidade na avaliação e agilidade na tomada de decisão.” Avalia.

A pesquisa foi desenvolvida pela Robert Half e conduzida online por uma empresa independente em junho de 2026.

No Brasil, foram entrevistados 500 profissionais responsáveis por decisões de contratação em Finanças e Contabilidade, Tecnologia da Informação, Suporte Administrativo e ao Cliente, Jurídico e Engenharia.

Fonte:

Pesquisa da Robert Hal.

Época Negócios – Futuro do Trabalho.

Mundiblue.

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