Empresas terão de recontratar 30% dos funcionários demitidos por causa da IA até 2029, prevê Gartner

Consultoria alerta que cortes para reduzir custos podem levar à perda de conhecimento e encarecer a contratação de profissionais nos próximos anos

Contratar outro profissional, depois de ter desligado o que era tão bom e perspicaz, pode trazer sérias desvantagens financeiras, operacionais e culturais para uma empresa. Novos Profissionais podem  aumentar custos sem o retorno esperado e gerar riscos consideráveis. Silânia Costa –  Enfermeira do Trabalho. Foto: Mundiblue.

Demitir funcionários depois de automatizar suas tarefas pode parecer uma forma rápida de reduzir custos.

Mas, à medida que a inteligência artificial transforma outras partes do negócio, as empresas poderão descobrir que ainda precisam da experiência desses profissionais.

Até 2029, 30% dos trabalhadores demitidos em razão da substituição por IA terão de ser recontratados, segundo uma previsão global do Gartner.

Nos EUA, eles são conhecidos como “funcionários bumerangue”, em razão do movimento de “vai e volta”.

A consultoria afirma que os cortes podem trazer ganhos financeiros no curto prazo, mas também enfraquecer a formação de novos talentos e levar à perda de conhecimento acumulado pelas equipes.

E quando as empresas precisarem novamente desses profissionais, poderão enfrentar custos maiores de recrutamento, treinamento e integração.

“Executivos de negócios e de tecnologia da informação que utilizarem a IA como uma ferramenta para redução de custos correm o risco de fazer cortes profundos demais e cedo demais”, afirma Tori Paulman, vice-presidente e analista do Gartner.

Tori acrescenta que isso pode comprometer a capacidade das organizações de inovar e competir em novos mercados conforme a tecnologia amadurece.

A análise integra o relatório Hype Cycle for the Future of Work 2026, cujos resultados foram apresentados nesta segunda-feira dia 21 de  Setembro na Conferência Gartner CIO & IT Executive, em São Paulo.

Para a consultoria, o desafio das empresas vai além de adotar ferramentas: é decidir como combinar a IA com a experiência dos trabalhadores e reorganizar as funções.

A consultoria recomenda que as empresas usem a IA para redesenhar funções e transferir profissionais de tarefas menos produtivas para novas atividades.

O Gartner chama essa estratégia de mix de talentos.

Segundo a consultoria, automatizar tarefas e reduzir equipes sem planejar essa transição pode trazer economia imediata e mais adiante, obrigar as empresas a contratar novamente, a um custo maior.

Ciclo de expectativas para o mercado de trabalho — Foto: Gartner 2026

O que deve mudar no trabalho com a IA?

O Gartner destaca quatro mudanças às quais líderes de tecnologia e de negócios devem prestar atenção:

  • A IA deve ampliar as capacidades dos profissionais: a tecnologia deve apoiar o julgamento, a criatividade e a tomada de decisões, preservando a responsabilidade humana pelos resultados.
  • As equipes precisarão aprender continuamente: o avanço da IA exige profissionais capazes de desenvolver novas habilidades, colaborar com outras áreas e se adaptar a funções em transformação. Isso inclui formação em IA para trabalhadores e executivos.
  • O conhecimento das equipes precisará ser preservado: à medida que processos forem automatizados, as empresas correm o risco de perder o contexto por trás das decisões. Para o Gartner, os profissionais devem compreender não apenas como uma tarefa é feita, mas o motivo de como ela deve ser feita daquela maneira.
  • Os ganhos de produtividade deverão financiar novas capacidades: a consultoria defende que as empresas invistam parte dos ganhos trazidos pela IA em inovação, modernização e capacitação.

Segundo outra previsão do Gartner, 75% das organizações que priorizarem transformar esses ganhos em redução de custos serão superadas por concorrentes que os reinvestirem até 2027.

 

 

Fonte:

Tori Paulman, vice-presidente e analista do Gartner.

Relatório – Hype Cycle for the Future of Work 2026

Época Negócios – Futuro do Trabalho.

Mundiblue/Silânia Costa – Enfermeira do Trabalho.

 

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