{"id":8835,"date":"2021-06-11T10:54:37","date_gmt":"2021-06-11T13:54:37","guid":{"rendered":"https:\/\/www.mundiblue.com\/consultoria\/?p=8835"},"modified":"2021-06-11T10:54:37","modified_gmt":"2021-06-11T13:54:37","slug":"por-que-falar-palavrao-nos-da-uma-sensacao-tao-boa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.mundiblue.com\/consultoria\/arquivos\/8835","title":{"rendered":"Por que falar palavr\u00e3o nos d\u00e1 uma sensa\u00e7\u00e3o t\u00e3o boa?"},"content":{"rendered":"<div dir=\"ltr\">\n<h3 dir=\"ltr\">Todos n\u00f3s j\u00e1 passamos por isso quando damos uma topada, somos fechados no tr\u00e2nsito ou derramamos caf\u00e9. De repente, soltamos um xingamento inflamado.<\/h3>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<\/div>\n<figure style=\"width: 572px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"bbc-fat2bc e1enwo3v0\" src=\"https:\/\/ichef.bbci.co.uk\/news\/640\/cpsprodpb\/13509\/production\/_118231197_3f14f437-0e44-49e4-b187-0f113a3f5a4c.jpg\" alt=\"Imagem conceitual de jovem irritada falando palavr\u00e3o\" width=\"572\" height=\"322\" \/><figcaption class=\"wp-caption-text\">Todos n\u00f3s fazemos isso&#8230; mas algumas pessoas s\u00e3o mais desbocadas do que outras. Getty Images.<\/figcaption><\/figure>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<div dir=\"ltr\">\n<p dir=\"ltr\">Instintivamente, buscamos um palavr\u00e3o e, como num passe de m\u00e1gica, obtemos um certo n\u00edvel de satisfa\u00e7\u00e3o instant\u00e2nea.<\/p>\n<p dir=\"ltr\">Afinal, qual \u00e9 a ci\u00eancia por tr\u00e1s do palavr\u00e3o?<\/p>\n<p dir=\"ltr\"><strong>&#8220;\u00c9 muito, muito dif\u00edcil de definir o palavr\u00e3o&#8221;, diz Emma Byrne, especialista no assunto e autora do livro <i class=\"bbc-h1y5j7 ewc4zcb0\">Dizer Palavr\u00f5es Faz Bem<\/i>.<\/strong><\/p>\n<p dir=\"ltr\">Segundo ela, \u00e9 o tipo de linguagem que usamos tanto quando estamos em choque, surpresos, euf\u00f3ricos, queremos ser engra\u00e7ados ou ofensivos&#8230; mas \u00e9 um fen\u00f4meno cultural que s\u00f3 faz sentido dentro de uma comunidade, grupo lingu\u00edstico, sociedade, pa\u00eds ou religi\u00e3o.<\/p>\n<p dir=\"ltr\"><strong>&#8220;N\u00f3s decidimos o que \u00e9 palavr\u00e3o por consenso. E muito desse consenso tem a ver com o que \u00e9 tabu em uma cultura espec\u00edfica: em alguns lugares, se ofende muito por partes do corpo, em outros por nomes de animais, doen\u00e7as ou certas fun\u00e7\u00f5es do organismo&#8221;, explica Byrne.<\/strong><\/p>\n<\/div>\n<div dir=\"ltr\">\n<div><\/div>\n<\/div>\n<div dir=\"ltr\">\n<p dir=\"ltr\">Mas h\u00e1 um elemento-chave sobre os palavr\u00f5es:<\/p>\n<p dir=\"ltr\"><em>Para ter esse impacto emocional, voc\u00ea precisa brincar com um tabu nessa sociedade em particular.<\/em><\/p>\n<\/div>\n<div dir=\"ltr\">\n<p dir=\"ltr\"><strong>Em caso de d\u00favida, Byrne esclarece: &#8220;\u00c9 o tipo de linguagem que voc\u00ea consideraria n\u00e3o usar em certas circunst\u00e2ncias, por exemplo, em uma entrevista de emprego ou ao conhecer os pais do seu namorado pela primeira vez&#8221;.<\/strong><\/p>\n<p dir=\"ltr\">\n<h4 dir=\"ltr\">Por que falamos palavr\u00e3o?<\/h4>\n<\/div>\n<p dir=\"ltr\">\u00c9 claro que pode haver algumas pessoas que nunca falam palavr\u00e3o, mas muitos de n\u00f3s identificamos aquela s\u00fabita sensa\u00e7\u00e3o de al\u00edvio ao proferir um improp\u00e9rio, a sensa\u00e7\u00e3o de que certas palavras s\u00e3o carregadas com uma camada extra de energia.<\/p>\n<p dir=\"ltr\">Byrne conta que uma das coisas mais interessantes com que se deparou durante sua pesquisa analisando estudos de casos m\u00e9dicos, foi o fato de que pessoas que foram submetidas a uma hemisferectomia, remo\u00e7\u00e3o de um lado do c\u00e9rebro devido a um dano irrepar\u00e1vel, podem perder a capacidade de falar, mas n\u00e3o completamente.<\/p>\n<div dir=\"ltr\">\n<p dir=\"ltr\"><strong>&#8220;A pessoa perde a maior parte da linguagem, mas ela ainda ser\u00e1 capaz de falar palavr\u00e3o&#8221;, diz Byrne.<\/strong><\/p>\n<\/div>\n<div dir=\"ltr\">\n<p dir=\"ltr\">&#8220;Parece que estabelecemos conex\u00f5es emocionais muito fortes com certos tipos de linguagem, e isso \u00e9 armazenado separadamente do resto da nossa linguagem.<\/p>\n<p dir=\"ltr\">Voc\u00ea pode remover parte do c\u00e9rebro e anular completamente a capacidade de algu\u00e9m de usar a linguagem de forma deliberativa e planejada como estou fazendo agora.<\/p>\n<p dir=\"ltr\">Mas elas ainda podem falar palavr\u00f5es espontaneamente.<\/p>\n<\/div>\n<div dir=\"ltr\">\n<p dir=\"ltr\"><strong>&#8220;O xingamento est\u00e1 t\u00e3o profundamente ligado \u00e0s emo\u00e7\u00f5es, que os movimentos musculares necess\u00e1rios para proferir palavr\u00f5es s\u00e3o armazenados em v\u00e1rios lugares. Portanto, temos backups quando precisarmos deles&#8221;, completa.<\/strong><\/p>\n<p dir=\"ltr\">\n<h4 dir=\"ltr\">Uma palavra substituta resolveria?<\/h4>\n<\/div>\n<div dir=\"ltr\">\n<p dir=\"ltr\"><strong>&#8220;Eu me perguntei se haveria algum sentido em falar palavr\u00e3o quando voc\u00ea est\u00e1 com dor, e se isso ajuda de alguma forma&#8221;, diz Richard Stevens, professor de Psicologia na Universidade de Keele, no Reino Unido, e respons\u00e1vel pelo Laborat\u00f3rio do Palavr\u00e3o, onde realiza experimentos.<\/strong><\/p>\n<\/div>\n<div dir=\"ltr\">\n<p dir=\"ltr\">Um deles, para ver se os palavr\u00f5es podem nos ajudar a lidar com a dor ou situa\u00e7\u00f5es extremas, consiste simplesmente em enfiar a m\u00e3o em um balde cheio de gelo, para ver quanto tempo voc\u00ea aguenta.<\/p>\n<p dir=\"ltr\">A pessoa faz isso duas vezes:<\/p>\n<ul>\n<li dir=\"ltr\">uma vez falando palavr\u00f5es de verdade e,<\/li>\n<li dir=\"ltr\">na outra, express\u00f5es substitutas polidas.<\/li>\n<\/ul>\n<\/div>\n<div dir=\"ltr\">\n<p dir=\"ltr\">Os especialistas descobriram que, ao falar palavr\u00f5es de verdade, as pessoas se sa\u00edam melhor e conseguiam manter a m\u00e3o por mais tempo no gelo, mas as palavras substitutas completamente arbitr\u00e1rias n\u00e3o funcionavam porque n\u00e3o tinham o impacto emocional de um palavr\u00e3o real.<\/p>\n<p dir=\"ltr\">\n<h4 dir=\"ltr\">Por que isso acontece?<\/h4>\n<\/div>\n<div dir=\"ltr\">\n<p dir=\"ltr\"><strong>&#8220;Normalmente vemos um aumento na frequ\u00eancia card\u00edaca nas condi\u00e7\u00f5es de xingamento, em compara\u00e7\u00e3o com a palavra neutra. Isso parece indicar algum tipo de resposta emocional ao palavr\u00e3o, e sabemos que o xingamento \u00e9 um tipo de linguagem emocional. A hip\u00f3tese com que trabalhamos \u00e9 que, quando as pessoas falam palavr\u00e3o com dor, elas est\u00e3o na verdade aumentando seus n\u00edveis de estresse e trazendo \u00e0 tona um fen\u00f4meno chamado analgesia induzida por estresse,<em> em que voc\u00ea \u00e9 insens\u00edvel \u00e0 dor, que faz parte da resposta mais ampla de luta ou fuga<\/em>&#8220;, diz Stevens.<\/strong><\/p>\n<\/div>\n<div dir=\"ltr\">\n<p dir=\"ltr\">Mas n\u00e3o s\u00e3o apenas os humanos que xingam.<\/p>\n<p dir=\"ltr\">Byrne diz que existem alguns estudos com chimpanz\u00e9s que envolvem essencialmente a cria\u00e7\u00e3o destes animais em uma vers\u00e3o ampliada de uma casa de fam\u00edlia.<\/p>\n<\/div>\n<div dir=\"ltr\">\n<p dir=\"ltr\">Os especialistas em primatas americanos Deborah e Roger Foots s\u00f3 falavam perto dos chimpanz\u00e9s usando linguagem de sinais.<\/p>\n<p dir=\"ltr\"><strong>&#8220;E ensinaram a eles sinais para todos os tipos de coisas&#8221;, explica Byrne.<\/strong><\/p>\n<\/div>\n<div dir=\"ltr\">\n<p dir=\"ltr\">Na natureza, os chimpanz\u00e9s tendem a se comunicar jogando suas fezes mas, os Foots tornaram isso um s\u00e9rio tabu ao treinar os animais que compartilhavam a casa com eles a usar um penico.<\/p>\n<\/div>\n<div dir=\"ltr\">\n<p dir=\"ltr\"><strong>&#8220;Depois de fazer isso, os chimpanz\u00e9s come\u00e7aram a usar o sinal que aprenderam para descrever <em>evacua\u00e7\u00e3o ou sujeira<\/em> da mesma forma que os falantes da l\u00edngua inglesa usam essa palavra para tudo relacionado a cagadas&#8221;, diz Byrne.<\/strong><\/p>\n<\/div>\n<div dir=\"ltr\">\n<p dir=\"ltr\">Os chimpanz\u00e9s usavam para expressar sua frustra\u00e7\u00e3o, para protestar, e come\u00e7ariam a usar o sinal para chamar outros chimpanz\u00e9s de macaco sujo, que \u00e9 o pior insulto que eles poderiam usar.<\/p>\n<\/div>\n<div dir=\"ltr\">\n<h4 dir=\"ltr\">E n\u00e3o para por a\u00ed.<\/h4>\n<p dir=\"ltr\"><strong>&#8220;Roger e Deborah Foots escrevem sobre caminhar pelo laborat\u00f3rio e ouvir esses chimpanz\u00e9s batendo a parte de tr\u00e1s das m\u00e3os na parte de baixo do queixo, <em>o <span style=\"text-decoration: underline;\">sinal de sujo<\/span>,<\/em> com tanta for\u00e7a que os dentes batiam junto. E isso, para mim, foi provavelmente uma das partes mais interessantes da pesquisa para o meu livro: a compreens\u00e3o de que, assim que voc\u00ea tem um tabu e os meios para express\u00e1-lo, algo como um palavr\u00e3o pode surgir&#8221;, conclui Byrne.<br \/>\n<\/strong><\/p>\n<\/div>\n<p dir=\"ltr\">\n<p dir=\"ltr\">Fonte:<\/p>\n<p dir=\"ltr\">Emma Byrne, especialista no assunto e autora do livro <i class=\"bbc-h1y5j7 ewc4zcb0\">Dizer Palavr\u00f5es Faz Bem<\/i>.<\/p>\n<p dir=\"ltr\">Richard Stevens, professor de Psicologia na Universidade de Keele, no Reino Unido, e respons\u00e1vel pelo Laborat\u00f3rio do Palavr\u00e3o, onde realiza experimentos.<\/p>\n<p dir=\"ltr\">BBC Brasil.<\/p>\n<p dir=\"ltr\">\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Todos n\u00f3s j\u00e1 passamos por isso quando damos uma topada, somos fechados no tr\u00e2nsito ou derramamos caf\u00e9. De repente, soltamos um xingamento inflamado. &nbsp; &nbsp; Instintivamente, buscamos um palavr\u00e3o e, como num passe de m\u00e1gica, obtemos um certo n\u00edvel de satisfa\u00e7\u00e3o instant\u00e2nea. Afinal, qual \u00e9 a ci\u00eancia por tr\u00e1s do palavr\u00e3o? &#8220;\u00c9 muito, muito dif\u00edcil [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"inline_featured_image":false,"_exactmetrics_skip_tracking":false,"_exactmetrics_sitenote_active":false,"_exactmetrics_sitenote_note":"","_exactmetrics_sitenote_category":0,"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-8835","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-noticias"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.mundiblue.com\/consultoria\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8835","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.mundiblue.com\/consultoria\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.mundiblue.com\/consultoria\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.mundiblue.com\/consultoria\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.mundiblue.com\/consultoria\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=8835"}],"version-history":[{"count":4,"href":"https:\/\/www.mundiblue.com\/consultoria\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8835\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":8839,"href":"https:\/\/www.mundiblue.com\/consultoria\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8835\/revisions\/8839"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.mundiblue.com\/consultoria\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=8835"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.mundiblue.com\/consultoria\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=8835"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.mundiblue.com\/consultoria\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=8835"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}