{"id":8828,"date":"2021-06-08T12:20:27","date_gmt":"2021-06-08T15:20:27","guid":{"rendered":"https:\/\/www.mundiblue.com\/consultoria\/?p=8828"},"modified":"2021-06-08T12:21:54","modified_gmt":"2021-06-08T15:21:54","slug":"profissionais-de-saude-relatam-casos-de-assedio-como-fica-a-saude-mental","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.mundiblue.com\/consultoria\/arquivos\/8828","title":{"rendered":"Profissionais de sa\u00fade relatam casos de ass\u00e9dio; como fica a sa\u00fade mental?"},"content":{"rendered":"<h3>&#8220;Abaixa a m\u00e1scara para eu ver esse sorriso lindo?&#8221; A frase faz parte de uma publica\u00e7\u00e3o da m\u00e9dica Fl\u00e1via Brito no Twitter que, em poucas horas, viralizou.<\/h3>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<figure style=\"width: 625px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"pinit-img loaded\" src=\"https:\/\/conteudo.imguol.com.br\/c\/entretenimento\/9e\/2019\/10\/21\/tristeza-ansiedade-depressao-mulher-triste-1571678480921_v2_750x421.jpg.webp\" alt=\"Tristeza, ansiedade, depress\u00e3o, mulher triste - Getty Images - Getty Images\" width=\"625\" height=\"351\" data-src=\"https:\/\/conteudo.imguol.com.br\/c\/entretenimento\/9e\/2019\/10\/21\/tristeza-ansiedade-depressao-mulher-triste-1571678480921_v2_750x421.jpg.webp\" data-crop=\"{&quot;xs&quot;:&quot;450x253&quot;,&quot;sm&quot;:&quot;750x421&quot;,&quot;md&quot;:&quot;600x337&quot;,&quot;lg&quot;:&quot;750x421&quot;}\" data-crazyload=\"loaded\" \/><figcaption class=\"wp-caption-text\">Imagem: Getty Images.<\/figcaption><\/figure>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Diversas mulheres, principalmente da \u00e1rea da sa\u00fade, inclu\u00edram seus relatos com situa\u00e7\u00f5es parecidas, envolvendo o ass\u00e9dio por parte dos homens.<\/p>\n<p>A ortopedista disse que estava sozinha com o paciente, que j\u00e1 fazia diversos elogios a ela.<\/p>\n<p><strong> &#8220;Ele elogiou minha letra, achei simp\u00e1tico e agradeci, at\u00e9 pelo estigma que os m\u00e9dicos t\u00eam. Depois, ele brincou sobre meu carimbo ser de diamante por ter strass nele. Em seguida, o paciente perguntou se poderia pedir uma coisa \u00e0 m\u00e9dica.\u00a0 Achei que ia solicitar um atestado e j\u00e1 fui fazendo. Mas ele pediu para eu tirar a m\u00e1scara para ver meu sorriso lindo.\u00a0 Fiquei sem rea\u00e7\u00e3o por alguns segundos, at\u00e9 entender tudo. Me levantei e fui abrindo a porta para ele se levantar logo e sair. Me senti muito desrespeitada.&#8221; Conta<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<div>\n<h4>O que elas pensam sobre o uso da m\u00e1scara<\/h4>\n<p>Apesar do ocorrido, a m\u00e9dica diz que o uso obrigat\u00f3rio da m\u00e1scara, principalmente em ambientes hospitalares, diminuiu a quantidade de ass\u00e9dios de uma forma geral.<\/p>\n<p><strong>&#8220;Ainda continua acontecendo de chamarem de meu anjo, mocinha, e at\u00e9 elogiarem alguma caracter\u00edstica, mas os ass\u00e9dios nos atendimentos diminu\u00edram.&#8221;<\/strong><\/p>\n<div>\n<p>Paula Arieta Crivelli, m\u00e9dica do interior de S\u00e3o Paulo, tamb\u00e9m concorda.<\/p>\n<p><strong>&#8220;Mas, agora \u00e9 mais desconfort\u00e1vel quando acontece, pois geralmente h\u00e1 questionamentos para retirar a m\u00e1scara para ver se eu sou bonita mesmo.\u00a0 Quando isso acontece, me sinto extremamente desrespeitada e invadida, al\u00e9m de irritada pela pessoa ter ignorado o fato de que a nossa prote\u00e7\u00e3o \u00e9 a m\u00e1scara.&#8221; Conta.<\/strong><\/p>\n<div>\n<p>J\u00e1 a nutricionista de Maca\u00e9 (RJ) Ana Carolina Costa v\u00ea esse tema de outro \u00e2ngulo:<\/p>\n<p><strong>&#8220;Percebo que o uso de m\u00e1scara acentuou os olhares para o corpo e as frases sem no\u00e7\u00e3o ganharam novas roupagens&#8221;<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<div>\n<h4>Ass\u00e9dio na \u00e1rea da sa\u00fade<\/h4>\n<p>Para al\u00e9m do uso da m\u00e1scara, o ass\u00e9dio sexual por parte dos pacientes n\u00e3o parece ser um caso isolado. A reportagem reuniu relatos de profissionais de sa\u00fade, algumas j\u00e1 citadas acima para contar como essa pr\u00e1tica \u00e9, infelizmente, muito comum, mesmo antes da pandemia.<\/p>\n<div>\n<p>&#8220;Embrulhada assim j\u00e1 \u00e9 linda, imagine descascada&#8221; Luciana Araujo, 37, farmac\u00eautica em um hospital de Bras\u00edlia (DF).<\/p>\n<p><strong>&#8220;Trabalhava em uma drogaria no bairro Lago Sul. Era meu segundo emprego depois de formada, ainda estava em per\u00edodo de experi\u00eancia. J\u00e1 havia sofrido ass\u00e9dio no emprego anterior, s\u00f3 que com o gerente da loja. Quando sofri esse novo ass\u00e9dio, de um cliente, foi a gota d&#8217;\u00e1gua para mim. Um senhor virou e falou <em>embrulhada assim j\u00e1 \u00e9 linda (pegou no meu jaleco), imagine descascada<\/em>. Os balconistas riram e o gerente fez de conta que nada viu.<\/strong> <strong>Por causa do ass\u00e9dio anterior, desenvolvi transtorno de ansiedade generalizada e fiquei calada. Daquela vez, o ass\u00e9dio sexual virou ass\u00e9dio moral e perdurou por muito tempo, at\u00e9 que um dia n\u00e3o aguentei e fui no RH prestar uma queixa. Eles insinuaram que eu queria alguma coisa com o gerente. Diante disso, pedi para os donos me demitirem e entramos em um acordo.<\/strong> <strong>Por essa p\u00e9ssima experi\u00eancia anterior, n\u00e3o procurei o RH desta vez. S\u00f3 avisei que n\u00e3o ia querer renovar o contrato e me desliguei. Fiquei anos sem emprego. N\u00e3o conseguia nem imaginar trabalhar em uma drogaria novamente.&#8221;<\/strong><\/p>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<p>&#8220;Paciente estava nu e me chamava de linda&#8221; Fl\u00e1via Brito, 32, ortopedista no interior de S\u00e3o Paulo.<\/p>\n<p><strong>&#8220;Na resid\u00eancia de ortopedia, eu passava para ver os pacientes internados todos os dias pela manh\u00e3. Por dois dias seguidos, um rapaz internado me chamava de linda, mesmo eu corrigindo todas as vezes. No terceiro dia, ele estava nu debaixo do len\u00e7ol e quando me viu chegando, sentou. Da porta eu percebi e disse a ele que passaria mais tarde. Ent\u00e3o, o paciente falou que tinha se preparado para me receber e me chamou de linda novamente num tom que me deu nojo. Neste caso, escrevi no prontu\u00e1rio e disse aos meus chefes que n\u00e3o passaria mais l\u00e1. As enfermeiras tamb\u00e9m contaram que ele agia da mesma forma, fazendo brincadeiras a respeito de banho, pedindo ajuda para lavar as partes \u00edntimas. Meu chefe teve uma conversa com ele e amea\u00e7ou que chamaria a pol\u00edcia. Ent\u00e3o, ele pediu desculpas, mas n\u00e3o passei mais perto.&#8221;<\/strong><\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<p>&#8220;Paciente sempre me convidada para jantar&#8221; Renata Diniz, 34, dermatologista em S\u00e3o Paulo.<\/p>\n<div>\n<p><strong>&#8220;Ele ia na cl\u00ednica uma vez ao m\u00eas mais ou menos. Era mais velho, muito bem de grana e casado. Todo final da consulta esse paciente me chamava para jantar. Sentia que ele se colocava nesse lugar de ser um homem mais velho e rico dando em cima de uma m\u00e9dica mais nova. Ele sabia como agir. Me sentia acuada, ofendida e desrespeitada na minha atua\u00e7\u00e3o como m\u00e9dica. <em>Ao mesmo tempo que n\u00e3o era algo violento e agressivo,<\/em>\u00a0 era muito desconfort\u00e1vel, principalmente por ser em um ambiente de trabalho. Mas como era uma cl\u00ednica com os donos por perto, eu n\u00e3o podia ser agressiva na resposta. Acredito que, se ocorresse hoje, eu seria muito mais incisiva do que fui na \u00e9poca, em 2016.&#8221;<\/strong><\/p>\n<p>&#8220;Vou adorar &#8216;tomar um ch\u00e1&#8217; seu&#8221; Ana Carolina Costa, 24, nutricionista em Maca\u00e9 (RJ).<\/p>\n<div>\n<div>\n<p><strong>&#8220;Estava em um contexto profissional, uma v\u00eddeo chamada. Convers\u00e1vamos sobre uma das d\u00favidas apresentadas pelo paciente: distens\u00e3o abdominal ap\u00f3s refei\u00e7\u00f5es. Expliquei algumas estrat\u00e9gias nutricionais que podem ser aplicadas, citei alguns ch\u00e1s (infus\u00e3o) e disse que seriam inseridos no plano alimentar. At\u00e9 que fui surpreendida com nossa, vou adorar tomar seu ch\u00e1 com uma entona\u00e7\u00e3o extremamente maliciosa. Me senti constrangida, mas assumi, mentalmente, a culpa: devo ter falado algo errado e n\u00e3o me fiz entender. Retomei a raz\u00e3o e pensei: opa, a culpa n\u00e3o \u00e9 minha, estou apenas fazendo meu trabalho. De qualquer forma, aquela frase me deixou abalada, uma vez que a rela\u00e7\u00e3o profissional da sa\u00fade e paciente foi quebrada. Me senti reduzida a algo de teor exclusivamente sexual&#8221;.<\/strong><\/p>\n<div>\n<div>\n<div>\n<p><strong>&#8220;Sou aut\u00f4noma e n\u00e3o tive a quem recorrer. Na verdade, at\u00e9 repensei minha pr\u00e1tica profissional, em maneiras de limitar algumas palavras, sendo que o problema nunca foi o meu comportamento. Fui a v\u00edtima.&#8221;<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h4>Consequ\u00eancias na sa\u00fade mental<\/h4>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<p>Em primeiro lugar, a mulher que sofreu um ass\u00e9dio sexual come\u00e7a a duvidar de si mesma por conta da ideia machista de que<em> se fui assediada, fiz algo para merecer isso<\/em>, segundo \u00c2ngela Figueiredo, mestre e doutora em psicologia cl\u00ednica pela PUC-RS (Pontif\u00edcia Universidade Cat\u00f3lica do Rio Grande do Sul).<\/p>\n<p>Depois, fazemos algo que se chama de invalida\u00e7\u00e3o emocional, que \u00e9 invalidar o que a gente sente como se estiv\u00e9ssemos erradas.<\/p>\n<div>\n<p>Entre as principais consequ\u00eancias mentais desse ass\u00e9dio est\u00e3o:<\/p>\n<ul>\n<li>transtornos de ansiedade &#8211; que se dividem em TAG (transtorno de ansiedade generalizada)<\/li>\n<li>transtorno de p\u00e2nico e fobia social &#8211; e a s\u00edndrome de burnout<\/li>\n<\/ul>\n<div>\n<p>De acordo com a psic\u00f3loga, profissionais de sa\u00fade podem sofrer mais com as consequ\u00eancias de um ass\u00e9dio.<\/p>\n<p><strong> &#8220;Al\u00e9m de questionar o que fez como mulher, ela tamb\u00e9m questiona o que fez como profissional para ter dado espa\u00e7o ao ass\u00e9dio&#8221;, diz.<\/strong><\/p>\n<p>Na vis\u00e3o dela, a \u00e1rea da sa\u00fade possui muitas chefias masculinas, o que tamb\u00e9m dificulta o processo todo.<\/p>\n<div>\n<p>Figueiredo explica que o ideal \u00e9 que essa mulher procure ajuda de um profissional de sa\u00fade mental, seja psic\u00f3logo ou psiquiatra.<\/p>\n<p><em><strong> &#8220;A primeira parte do tratamento psicol\u00f3gico \u00e9 colocar a responsabilidade no lugar certo: no assediador&#8221;.<\/strong><\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<h4>O que diz a lei<\/h4>\n<p>Ass\u00e9dio sexual e moral no ambiente de trabalho s\u00e3o tipificados como crime no C\u00f3digo Penal brasileiro.<\/p>\n<p>O primeiro \u00e9 o ato de constranger algu\u00e9m com finalidade de obter vantagem sexual (art. 216-A).<\/p>\n<p>O segundo (art. 146-A) envolve a desqualifica\u00e7\u00e3o reiterada de uma pessoa por palavras, gestos ou atitudes no ambiente de trabalho.<\/p>\n<div>\n<div>\n<p><strong>&#8220;No caso de profissionais de sa\u00fade que sofrem com abusos f\u00edsicos ou verbais de superiores, colegas ou pacientes, ambas as legisla\u00e7\u00f5es pode ser aplicada&#8221;, explica Yasmin Curzi de Mendon\u00e7a, advogada e pesquisadora do CTS\/FGV Direito Rio&#8221;.<\/strong><\/p>\n<p>Do ponto de vista legal, a mulher v\u00edtima de viol\u00eancia pode recorrer em qualquer delegacia, n\u00e3o s\u00f3 na DEAM (Delegacia Especializada no Atendimento \u00e0 Mulher), para fazer queixa.<\/p>\n<p><span style=\"color: #ff0000;\"><em>H\u00e1 ainda o canal gratuito de den\u00fancia para as mulheres, o 180<\/em><\/span><\/p>\n<div>\n<p>A v\u00edtima tamb\u00e9m pode levar o caso ao RH da empresa, com provas e at\u00e9 testemunhas, se for o caso.<\/p>\n<p><strong>&#8220;O empregador pode ser responsabilizado legalmente tamb\u00e9m, se n\u00e3o propiciar um ambiente seguro para os trabalhadores (art. 157, I, CLT) e portanto, a v\u00edtima poderia tamb\u00e9m demandar repara\u00e7\u00f5es no \u00e2mbito da justi\u00e7a trabalhista, caso n\u00e3o tenha contado com o apoio necess\u00e1rio do RH de sua empresa&#8221;, diz.<\/strong><\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Fonte:<\/p>\n<p>Dra. \u00c2ngela Figueiredo, mestre e doutora em psicologia cl\u00ednica pela PUC-RS (Pontif\u00edcia Universidade Cat\u00f3lica do Rio Grande do Sul).<\/p>\n<p>Dra. Yasmin Curzi de Mendon\u00e7a, advogada e pesquisadora do CTS\/FGV Direito Rio.<\/p>\n<p>VivaBem uol.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&#8220;Abaixa a m\u00e1scara para eu ver esse sorriso lindo?&#8221; A frase faz parte de uma publica\u00e7\u00e3o da m\u00e9dica Fl\u00e1via Brito no Twitter que, em poucas horas, viralizou. &nbsp; &nbsp; Diversas mulheres, principalmente da \u00e1rea da sa\u00fade, inclu\u00edram seus relatos com situa\u00e7\u00f5es parecidas, envolvendo o ass\u00e9dio por parte dos homens. 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