{"id":5141,"date":"2018-01-16T11:37:53","date_gmt":"2018-01-16T13:37:53","guid":{"rendered":"https:\/\/www.mundiblue.com\/consultoria\/?p=5141"},"modified":"2018-01-16T11:37:53","modified_gmt":"2018-01-16T13:37:53","slug":"por-que-nao-fazer-nada-pode-te-ajudar-a-ser-mais-produtivo-no-trabalho-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.mundiblue.com\/consultoria\/arquivos\/5141","title":{"rendered":"Por que n\u00e3o fazer nada pode te ajudar a ser mais produtivo no trabalho"},"content":{"rendered":"<div id=\"embedBox\" role=\"alertdialog\" aria-labelledby=\"embedMediaTitle\" aria-describedby=\"embedMediaDescription\">\n<h3 class=\"story-body__introduction\">Quando me mudei de Washington para Roma, uma cena me impressionou mais do que qualquer bas\u00edlica ou templo antigo: a de pessoas <em>que n\u00e3o faziam nada.<\/em><\/h3>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<figure style=\"width: 976px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"js-image-replace\" src=\"https:\/\/ichef.bbci.co.uk\/news\/660\/cpsprodpb\/A8A8\/production\/_99167134_gettyimages-610262658.jpg\" alt=\"Mulher com a m\u00e3o na cabe\u00e7a\" width=\"976\" height=\"549\" data-highest-encountered-width=\"660\" \/><figcaption class=\"wp-caption-text\">Trabalhar menos horas n\u00e3o significa necessariamente render menos no trabalho. Getty Images<\/figcaption><\/figure>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Com frequ\u00eancia, me deparava com senhoras debru\u00e7adas nas janelas, observando as pessoas que passavam, ou fam\u00edlias em meio a suas caminhadas noturnas, parando de vez em quando para cumprimentar conhecidos.<\/p>\n<p>At\u00e9 mesmo a rotina no escrit\u00f3rio era diferente. Nada de sandu\u00edches devorados \u00e0s pressas. Na hora do almo\u00e7o, os restaurantes ficavam repletos de profissionais que se sentavam \u00e0 mesa para comer devidamente.<\/p>\n<p>Certamente, desde o s\u00e9culo 17, quando os jovens do Grand Tour (roteiro que os europeus de classe m\u00e9dia e alta costumavam fazer) come\u00e7aram a escrever seus relatos de viagem, as pessoas que chegam de fora trazem uma ideia estereotipada da <em>indol\u00eancia<\/em> italiana.<\/p>\n<p>Mas n\u00e3o \u00e9 bem assim. Os mesmos amigos que v\u00e3o para casa de motocicleta para um almo\u00e7o mais prolongado, constantemente voltam ao escrit\u00f3rio para trabalhar at\u00e9 tarde da noite.<\/p>\n<p>Ainda assim, a aparente cren\u00e7a de equilibrar o trabalho duro com o<i> il dolce fare niente<\/i> (a do\u00e7ura de n\u00e3o fazer nada, em tradu\u00e7\u00e3o livre), sempre me chamou a aten\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Afinal, n\u00e3o fazer nada parece ser o oposto de ser produtivo. E a produtividade, seja criativa, intelectual ou industrial \u00e9 o aproveitamento m\u00e1ximo do nosso tempo.<\/p>\n<p>Mas, enquanto preenchemos nossos dias com mais e mais afazeres, muitos de n\u00f3s j\u00e1 percebemos que a atividade ininterrupta n\u00e3o \u00e9 o \u00e1pice da produtividade. Mas, sim, sua advers\u00e1ria.<\/p>\n<p>Especialistas sugerem que o trabalho produzido ao fim de uma jornada de 14 horas \u00e9 de pior qualidade do que quando estamos descansados.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, esse padr\u00e3o de trabalho tamb\u00e9m prejudica nossa criatividade e cogni\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Com o tempo, pode fazer com que o trabalhador se sinta fisicamente doente e, ironicamente, como se n\u00e3o tivesse um prop\u00f3sito.<\/p>\n<p><strong>&#8220;Pense no trabalho mental como fazer flex\u00f5es&#8221;, comenta Josh Davis, autor do livro <i>Two Awesome Hours<\/i> (Duas Horas Incr\u00edveis, em tradu\u00e7\u00e3o livre).<\/strong><\/p>\n<p>Digamos que voc\u00ea queira fazer 10 mil flex\u00f5es. A maneira mais eficiente seria realiz\u00e1-las sem pausa. Mas seria imposs\u00edvel.<\/p>\n<p>Por outro lado, se fiz\u00e9ssemos apenas uma s\u00e9rie por vez, intercalando as flex\u00f5es com outras atividades e distribuindo-as ao longo das semanas, seria muito mais vi\u00e1vel alcan\u00e7ar a meta.<\/p>\n<p><strong>&#8220;O c\u00e9rebro \u00e9 muito parecido com um m\u00fasculo neste sentido&#8221;, escreve Davis.<\/strong><\/p>\n<p>Estabelecer as condi\u00e7\u00f5es inadequadas por meio do trabalho constante nos faz ter pouco sucesso. J\u00e1 se estabelecermos as condi\u00e7\u00f5es apropriadas, h\u00e1 pouco que n\u00e3o poder\u00edamos fazer.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h4 class=\"story-body__crosshead\">Fazer ou morrer<\/h4>\n<p>Muita gente tende a pensar, no entanto, que o c\u00e9rebro n\u00e3o \u00e9 um m\u00fasculo mas sim, um computador, uma m\u00e1quina capaz de realizar trabalho constante.<\/p>\n<p>E, segundo especialistas, o ato de nos pressionarmos a trabalhar durante horas sem descanso pode ser prejudicial.<\/p>\n<p><strong>&#8220;A ideia de que \u00e9 poss\u00edvel esticar indefinidamente os tempos de concentra\u00e7\u00e3o e produtividade a esses limites arbitr\u00e1rios \u00e9 muito ruim. \u00c9 contraproducente&#8221;, diz o cientista Andrew Smart, autor de <i>Auto-pilot: the Art and Science of Doing Nothing<\/i> (Piloto autom\u00e1tico: a arte e a ci\u00eancia de n\u00e3o fazer nada, em tradu\u00e7\u00e3o livre).<\/strong><\/p>\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width\"><\/figure>\n<p>Um an\u00e1lise combinada de diferentes estudos no mesmo assunto identificou que trabalhar por muitas horas aumenta o risco de desenvolver doen\u00e7as coronarianas em 40%, quase tanto quanto ser fumante (50%).<\/p>\n<p>Outro estudo mostrou que as pessoas com longas jornadas de trabalho t\u00eam um risco significativamente maior de infartar, enquanto aquelas que trabalham mais de 11 horas por dia s\u00e3o quase 2,5 vezes mais propensas a desenvolver um quadro de depress\u00e3o, em compara\u00e7\u00e3o com quem tem uma jornada de sete a oito horas.<\/p>\n<p>No Jap\u00e3o, esse h\u00e1bito tem resultado em uma tend\u00eancia perturbadora, chamada karoshi ou morte por excesso de trabalho.<\/p>\n<p>Se voc\u00ea est\u00e1 se perguntando se isso significa que deveria tirar suas f\u00e9rias atrasadas, a resposta pode ser sim.<\/p>\n<p>Um estudo realizado com executivos em Helsinki, na Finl\u00e2ndia, mostrou que durante mais de 26 anos, os gerentes e empres\u00e1rios que tiraram menos f\u00e9rias sofreram mortes precoces e apresentaram uma sa\u00fade pior na velhice.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width\"><\/figure>\n<h4 class=\"story-body__crosshead\">Efici\u00eancia: algo novo?<\/h4>\n<p>\u00c9 f\u00e1cil pensar que a efici\u00eancia e a produtividade s\u00e3o obsess\u00f5es novas. Mas o fil\u00f3sofo brit\u00e2nico Bertrand Russell discordaria.<\/p>\n<p><strong>&#8220;V\u00e3o dizer que embora um pouco de \u00f3cio seja agrad\u00e1vel, os homens n\u00e3o saberiam preencher seus dias se s\u00f3 trabalhassem quatro das 24 horas&#8221;, escreveu Russell em 1932.<\/strong><\/p>\n<p>Da mesma maneira, algumas das pessoas mais criativas e produtivas do mundo se deram conta da import\u00e2ncia de fazer menos.<\/p>\n<p>Sempre com uma \u00e9tica de trabalho forte, mas tamb\u00e9m per\u00edodos de tempo dedicados ao descanso e ao \u00f3cio.<\/p>\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width\"><\/figure>\n<p><strong>&#8220;Trabalhe em uma coisa s\u00f3 at\u00e9 termin\u00e1-la. Pare no hor\u00e1rio marcado! Mantenha-se humano! V\u00e1 a lugares, veja pessoas, beba se isso te atrai&#8221;. Escreveu o artista e escritor Henry Miller em seus 11 mandamentos da escrita.<\/strong><\/p>\n<p>At\u00e9 mesmo Benjamin Franklin Estudioso da Eletricidade &#8211; Experimento da Pipa e outros, dedicava grande parte de seu tempo ao \u00f3cio.<\/p>\n<p>Todos os dias, descansava duas horas ap\u00f3s o almo\u00e7o, deixava as noites livres e tinha uma noite inteira para dormir.<\/p>\n<p>Em vez de trabalhar sem parar como impressor, atividade que pagava suas contas, ele passava &#8220;muitas horas&#8221; socializando e entretido com passatempos.<\/p>\n<p><strong>&#8220;Na realidade, os mesmos interesses que o afastaram de sua profiss\u00e3o inicial levaram-no a muitas coisas maravilhosas pelas quais \u00e9 conhecido, como ter inventado o para-raios&#8221;, diz Davis.<\/strong><\/p>\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width\"><\/figure>\n<p>Mesmo em uma escala global, n\u00e3o h\u00e1 uma clara correla\u00e7\u00e3o entre produtividade de um pa\u00eds e a m\u00e9dia de horas trabalhadas.<\/p>\n<p>Com uma m\u00e9dia de 38,6 horas por semana, por exemplo, o empregado norte-americano trabalha em m\u00e9dia 4,6 horas a mais na semana do que um noruegu\u00eas.<\/p>\n<p>No entanto, os trabalhadores noruegueses contribuem com U$ 78,70 por hora para o Produto Interno Bruto (PIB), enquanto os norte-americanos contribuem com U$ 69,60.<\/p>\n<p>No caso da It\u00e1lia, ber\u00e7o do <i>il dolce far niente<\/i>, com uma m\u00e9dia semanal de 35,5 horas de trabalho, o pa\u00eds produz quase 40% a mais por hora do que a Turquia, onde as pessoas trabalham em m\u00e9dia 47,9 horas por semana.<\/p>\n<p>Parece ent\u00e3o que todos os intervalos para tomar caf\u00e9 n\u00e3o s\u00e3o t\u00e3o ruins.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h4 class=\"story-body__crosshead\">Entre cochilos e pequenas pausas<\/h4>\n<p>A raz\u00e3o pela qual temos jornadas de trabalho de oito horas, por exemplo, se deve ao fato de as empresas terem descoberto que reduzir as horas dos empregados gerava um efeito contr\u00e1rio ao que esperavam: aumentava a produtividade.<\/p>\n<p>Durante a revolu\u00e7\u00e3o industrial, jornadas de 10 a 16 horas eram normais.<\/p>\n<p>A Ford, fabricante de autom\u00f3veis, foi a primeira companhia a testar turnos com oito horas e percebeu que seus empregados eram mais produtivos n\u00e3o s\u00f3 a cada hora, mas de um modo geral.<\/p>\n<p>Em dois anos, os ganhos da empresa dobraram.<\/p>\n<p>Se as jornadas de trabalho de oito horas s\u00e3o melhores do que as de dez, quer dizer que turnos com menos horas seriam ainda melhores? Talvez.<\/p>\n<p>Uma pesquisa mostrou que para pessoas com mais de 40 anos, uma carga hor\u00e1ria semanal de 25 horas pode ser \u00f3timo para a cogni\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A Su\u00e9cia, por exemplo, experimentou recentemente jornadas de seis horas di\u00e1rias e constatou que a produtividade dos empregados melhorou, assim como a sa\u00fade deles.<\/p>\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width\"><\/figure>\n<p>A forma como as pessoas se comportam durante um dia de trabalho parece confirmar essa teoria.<\/p>\n<p>Uma pesquisa realizada com quase 2 mil empregados em tempo integral, na Inglaterra, sugere que as pessoas s\u00f3 eram produtivas durante duas horas e 53 minutos de uma jornada de oito horas.<\/p>\n<p>Durante o resto do tempo, checavam suas redes sociais, liam not\u00edcias, conversavam com colegas de trabalho, comiam e at\u00e9 mesmo buscavam outros empregos.<\/p>\n<p>Podemos nos concentrar por um per\u00edodo de tempo ainda mais curto quando estamos nos for\u00e7ando ao limite de nossas capacidades.<\/p>\n<p>De acordo com o psic\u00f3logo K. Anders Ericsson, da Universidade de Estocolmo, na Su\u00e9cia, ao come\u00e7ar um tipo de<em> pr\u00e1tica deliberada<\/em> necess\u00e1ria para dominar qualquer atividade, \u00e9 preciso mais pausas do que pensamos.<\/p>\n<p>A maior parte das pessoas pode trabalhar somente uma hora sem necessidade de pausa.<\/p>\n<p>Existem m\u00fasicos profissionais, autores e atletas que n\u00e3o dedicam mais de cinco horas di\u00e1rias ao seu of\u00edcio.<\/p>\n<p>Outro h\u00e1bito que eles t\u00eam em comum?<\/p>\n<p><strong>&#8220;A <em>tend\u00eancia de tirar cochilos para se recuperar<\/em>, afirma Ericsson&#8221;. Uma maneira de descansar tanto o c\u00e9rebro quanto o corpo.<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h4 class=\"story-body__crosshead\">Descanso ativo<\/h4>\n<p>Mas a palavra &#8220;descanso&#8221;, como alguns pesquisadores ressaltam, n\u00e3o \u00e9 necessariamente o melhor termo para descrever o que estamos fazendo quando n\u00e3o fazemos nada.<\/p>\n<p>A parte do c\u00e9rebro que \u00e9 ativada quando n\u00e3o fazemos nada, conhecida como rede neuronal em modo padr\u00e3o (DMN, na sigla em ingl\u00eas), desempenha um papel fundamental na consolida\u00e7\u00e3o da mem\u00f3ria e na vis\u00e3o do futuro.<\/p>\n<p>\u00c9 tamb\u00e9m a zona do c\u00e9rebro que ativamos quando observamos outros indiv\u00edduos, pensamos sobre n\u00f3s mesmos, fazemos julgamento moral ou processamos as emo\u00e7\u00f5es de outras pessoas.<\/p>\n<p>Em outras palavras, se esta rede se apagar, podemos ter dificuldade de mem\u00f3ria, de antecipar consequ\u00eancias, compreender as intera\u00e7\u00f5es sociais, entender a n\u00f3s mesmos, agir de forma \u00e9tica ou ter empatia com os demais.<\/p>\n<p>Ou seja, tudo que nos torna n\u00e3o apenas funcionais no ambiente de trabalho, como tamb\u00e9m na vida.<\/p>\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width\"><\/figure>\n<p><strong>&#8220;Esse tempo de \u00f3cio te ajuda a reconhecer a import\u00e2ncia mais profunda das situa\u00e7\u00f5es. Ajuda a entender o significado das coisas. Quando voc\u00ea n\u00e3o est\u00e1 dando significado para as coisas, est\u00e1 apenas reagindo e agindo no momento, e voc\u00ea estar\u00e1 sujeito a muitos tipos de comportamentos e cren\u00e7as cognitivas e emocionais n\u00e3o apropriadas para o ambiente&#8221;, afirma Mary Helen Immordino-Yang, neurocientista e pesquisadora do Instituto do C\u00e9rebro e da Criatividade da Universidade do Sul da Calif\u00f3rnia, nos Estados Unidos.<\/strong><\/p>\n<p>Da mesma maneira, n\u00e3o ter\u00edamos a capacidade de pensar em novas ideias e conex\u00f5es.<\/p>\n<p>A DMN &#8211; Rede Neuronal \u00e9 acionada quando fazemos associa\u00e7\u00f5es entre assuntos que parecem n\u00e3o estar relacionados ou quando propomos ideias originais.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m \u00e9 o lugar onde afloram momentos de inspira\u00e7\u00e3o, o que significa que, assim como Arquimedes, voc\u00ea pode ter uma ideia brilhante quando est\u00e1 passeando ou tomando banho. E deveria agradecer \u00e0 biologia por isso.<\/p>\n<p>Talvez o mais importante de tudo seja: se n\u00e3o reservarmos um tempo para dirigir nossa aten\u00e7\u00e3o para dentro, perderemos um elemento crucial da felicidade.<\/p>\n<p><strong>&#8220;Estamos fazendo coisas sem dar significado para elas durante uma grande parte do tempo. Quando voc\u00ea n\u00e3o tem a habilidade de inserir suas a\u00e7\u00f5es em uma causa mais ampla, elas ficam sem sentido com o tempo, vazias e n\u00e3o conectadas com o seu sentido geral. E sabemos que n\u00e3o ter um prop\u00f3sito com o tempo se associa a n\u00e3o ter uma boa sa\u00fade emocional e psicol\u00f3gica&#8221;. Ressalta Immordino-Yang.<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h4 class=\"story-body__crosshead\">Tricotar e meditar?<\/h4>\n<p>As pessoas que meditam sabem muito bem que fazer nada pode ser surpreendentemente dif\u00edcil. Ap\u00f3s 30 segundos de descanso, quem n\u00e3o sente necessidade de checar o celular?<\/p>\n<p>De fato, fazer nada \u00e9 t\u00e3o inc\u00f4modo que muitas vezes optamos at\u00e9 por nos prejudicar. Literalmente.<\/p>\n<p>Em 11 estudos cient\u00edficos diferentes, pesquisadores mostraram que os participantes preferiam qualquer coisa, incluindo receber choques el\u00e9tricos, ao inv\u00e9s de fazer nada.<\/p>\n<p>Mesmo sabendo que n\u00e3o precisavam ficar sentados por muito tempo, os experimentos variavam entre seis e 15 minutos.<\/p>\n<p>A boa not\u00edcia \u00e9 que voc\u00ea n\u00e3o precisa se dedicar a fazer absolutamente nada para ter benef\u00edcios. \u00c9 verdade que o descanso \u00e9 importante.<\/p>\n<p>Por\u00e9m, na reflex\u00e3o ativa tamb\u00e9m \u00e9 poss\u00edvel tirar grande proveito, seja digerindo um problema que voc\u00ea tem ou formulando uma ideia.<\/p>\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width\"><\/figure>\n<p>De fato, tudo que requer a visualiza\u00e7\u00e3o de resultados hipot\u00e9ticos ou cen\u00e1rios imagin\u00e1rios, como debater um problema com amigos, ou se perder lendo um bom livro, tamb\u00e9m ajuda, segundo Immordino-Yang.<\/p>\n<p>E se voc\u00ea tem um prop\u00f3sito, \u00e9 at\u00e9 mesmo poss\u00edvel ativar sua rede neuronal de modo padr\u00e3o ao acessar as redes sociais.<\/p>\n<p><strong>&#8220;Se voc\u00ea simplesmente est\u00e1 olhando uma foto bonita, a rede neuronal (DMN) estar\u00e1 desativada. Mas, se voc\u00ea faz pausas e tenta analisar a imagem de uma forma mais ampla, tentando entender por que a pessoa da foto est\u00e1 se comportando daquela maneira, elaborando uma narrativa ao seu redor, ent\u00e3o, nesse caso, \u00e9 muito poss\u00edvel que esteja ativando essas redes&#8221;, explica a pesquisadora.<\/strong><\/p>\n<p>A medita\u00e7\u00e3o \u00e9 outro m\u00e9todo eficaz. Com uma semana de pr\u00e1tica para os iniciantes, ou apenas uma sess\u00e3o para os mais experientes, \u00e9 poss\u00edvel melhorar a criatividade, o humor, a mem\u00f3ria e a concentra\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Qualquer outra tarefa que n\u00e3o exija 100% de concentra\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m pode ajudar, como tricotar ou rabiscar.<\/p>\n<p><strong> Como escreveu Virginia Woolf em <i>Um Teto Todo Seu <\/i>(1929): &#8220;Desenhar croquis era um modo pregui\u00e7oso de cumprir o trabalho in\u00fatil da manh\u00e3. \u00c9, por\u00e9m, no \u00f3cio, nos sonhos, que a verdade submersa geralmente vem \u00e0 tona&#8221;.<\/strong><\/p>\n<\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Fonte:<\/p>\n<p>Josh Davis, autor do livro <i>Two Awesome Hours &#8211; <\/i>Duas Horas Incr\u00edveis, em tradu\u00e7\u00e3o livre.<\/p>\n<p><span class=\"st\">Andrew Smart cientista e autor de <i>Auto-pilot: the Art and Science of Doing Nothing &#8211; <\/i>Piloto autom\u00e1tico: a arte e a ci\u00eancia de n\u00e3o fazer nada, em tradu\u00e7\u00e3o livre.<\/span><\/p>\n<p>Bertrand Russell fil\u00f3sofo brit\u00e2nico &#8211; 1932<\/p>\n<p>Henry Miller, artista e escritor<\/p>\n<p>Mary Helen Immordino-Yang, neurocientista e pesquisadora do Instituto do C\u00e9rebro e da Criatividade da Universidade do Sul da Calif\u00f3rnia, nos Estados Unidos.<\/p>\n<p>Virginia Woolf em: <i>Um Teto Todo Seu &#8211; <\/i>1929.<\/p>\n<p>BBC Brasil<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Quando me mudei de Washington para Roma, uma cena me impressionou mais do que qualquer bas\u00edlica ou templo antigo: a de pessoas que n\u00e3o faziam nada. &nbsp; &nbsp; Com frequ\u00eancia, me deparava com senhoras debru\u00e7adas nas janelas, observando as pessoas que passavam, ou fam\u00edlias em meio a suas caminhadas noturnas, parando de vez em quando [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":5143,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"inline_featured_image":false,"_exactmetrics_skip_tracking":false,"_exactmetrics_sitenote_active":false,"_exactmetrics_sitenote_note":"","_exactmetrics_sitenote_category":0,"footnotes":""},"categories":[7],"tags":[],"class_list":["post-5141","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-referencias"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.mundiblue.com\/consultoria\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5141","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.mundiblue.com\/consultoria\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.mundiblue.com\/consultoria\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.mundiblue.com\/consultoria\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.mundiblue.com\/consultoria\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=5141"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/www.mundiblue.com\/consultoria\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5141\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":5144,"href":"https:\/\/www.mundiblue.com\/consultoria\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5141\/revisions\/5144"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.mundiblue.com\/consultoria\/wp-json\/wp\/v2\/media\/5143"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.mundiblue.com\/consultoria\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=5141"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.mundiblue.com\/consultoria\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=5141"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.mundiblue.com\/consultoria\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=5141"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}